28 dezembro, 2008

Alta Estima


E foi na Bíblia que eu li algo assim: "De tudo quanto deves guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida."

Há bem pouco tempo, eu pensava que amar fosse dedicar-se cem por cento a alguém. Por causa dessa crença anulei-me como pessoa durante onze anos.

Quanto mais eu "amava" o outro, mais ódio sentia de mim mesma. Doava-me... dizimava-me... esvaziava-me... Resultado? Esgotamento de amor próprio!

Intriga-me o facto de eu estar a dar risadas neste momento. Sinto-me estúpida, verdadeiramente. Mas há coisas que só a maturidade traz. Acredito que uma delas é a capacidade de rir-se das próprias loucuras.

Mas eu pensava MESMO que o meu coração era pra ser "dado"... Então eu o dava! E o daria a qualquer pessoa que me fizesse sentir minimamente especial naquela altura. Sendo assim, naturalmente, logo ele ficasse vago eu tratava de tentar alugá-lo. Na verdade, como diz uma certa música, eu estava a fazer um leilão! "Quem dá mais pelo meu coração?". E naquela de tentar tamponar uma falta (inominável por sinal!) eu só me perdia mais e mais na solidão.

-Pronto. Pára tudo agora! - Eu disse. E foi quando simplesmente pareceu-me uma opção,embora nunca antes imaginada, FICAR SÓ.
EU? Aquela que sempre escolheu estar mal-acompanhada quer ficar "sem ninguém"?

Entretanto eu não sabia PARA QUE eu queria alguém. Então pus-me a pensar:

Queria ouvir que era bonita?
Queria ouvir que era amada?

Mas como era isso possível se EU no meu ódio profundo por mim mesma quase quebravam-se-me os ossos?

Então ficar sozinha era uma possibilidade nunca antes pensada, jamais desejada, uma situação assustadora. Mas o desafio estava lançado.

E assim começou um diálogo de amor entre partes de mim que eu verdadeiramente desconhecia por completo. Parece clichê, ensinamento de livro de auto-ajuda, mas eu comecei a relacionar-me comigo mesma.
Tive que olhar pra mim até sentir verdadeira admiração pela pessoa que havia me tornado e pelas conquistas que jamais valorizara antes.
O mais incrível é que tornei-me tal como um ímã e passei a atrair o melhor das pessoas.

Será que elas mudaram? Eu mudei? Que remédio foi esse? Até das minhas fraquezas físicas eu me curei!!!

Mas a chave é que passei a buscar com sinceridade profunda, não uma religião, mas a Deus verdadeiramente. E tinha que ser de uma forma que fizesse realmente sentido, porque aquela história de "tens que ser bom pra quando morrerdes irdes pro céu" já não calha...Pois como boa rebelde que sou, nunca quis mesmo ir pra lá. Imaginava uma chatice total! Mas também o inferno metia-me um medo cruel! Mas tudo, tudo mesmo o que eu queria era viver, viver e viver!

Enquanto eu O buscava foi Ele a me encontrar. Hoje mantemos firme a nossa relação no meu mundo interior, pois a casa está limpa e meu coração sedento!
Conversamos constantemente, sobre todas as coisas, tornamo-nos chegados. Meu medo se foi! Não é assim? "O verdadeiro amor lança fora todo o medo".

Actualmente o meu objetivo diário é tornar-me uma pessoa melhor. Pra que? Pra quem? Já não importa.

E é por isso que hoje, quando digo que "Te amo", faço-o porque sei que quero-te tanto bem quanto o quero a mim mesma. Além disso, significa querer-te livre para experimentar o milagre de amar e ser amado... de deixar-se achar por um amor maior.

Sabes dizer o tempo cronológico determinado pra florescer um bem-querer? É possível impedir o crescimento natural da planta com todas as condições climáticas favoráveis? Pois mesmo pequenina já se consegue distinguir a sua espécie...

Toda a verdade é que sinto-me mesmo altamente feliz!

Quero dizer simplesmente: amoooooooooooooooo estar viva!

Obrigada, Deus!

Um comentário:

Leonor disse...

Mel, Impressionante o poder das almas gêmeas. Hoje tudo que eu precisava era ouvir palavras que me fizessem entender melhor em que buraco fundo eu deixei cair minha alta estima e que relação louca é essa que eu tenho com o amor.

Precisava muito falar com voce, e pra me sentir mais perto de ti, entrei no seu blog pra tentar aquecer meu coração. E ao ler esse paragrafo abaixo encontrei a tradução do que eu ando sentindo e do que eu ando fazendo com meu coração nos últimos tempos.

"Mas eu pensava MESMO que o meu coração era pra ser "dado"... Então eu o dava! E o daria a qualquer pessoa que me fizesse sentir minimamente especial naquela altura. Sendo assim, naturalmente, logo ele ficasse vago eu tratava de tentar alugá-lo. Na verdade, como diz uma certa música, eu estava a fazer um leilão! "Quem dá mais pelo meu coração?". E naquela de tentar tamponar uma falta (inominável por sinal!) eu só me perdia mais e mais na solidão"

Obrigada amiga, por me ouvir e me ajudar e a me entender mesmo quando meu grito por ajuda parce estar abafado pela distância.

Bjus