07 novembro, 2007

A Ampulheta


"Parece que o tempo aí não passa.
É uma cena de paz.
Como olhar a neve pela vidraça.

Sem tic-tac, sem ponteiros, só a areia
caindo mansamente.
Lembra-me o homem que semeia.

O tempo não tem volta.
Revolta tê-lo perdido.
Pior ainda: não o ter percebido.

Na ampulheta, eis o sonho realizado
da volta ao tempo, retrocesso,
ao virá-la do outro lado
dando à mesma areia acesso."
Águia Dourada

06 novembro, 2007

Diálogo


- Obrigada...
- Não. Você não foi obrigada... de jeito nenhum!
- Fui sim. Eu acho que fui...
- Mas foi você quem escolheu, lembra?
- Eu?!
- Sim, Você.
- Mas foi por causa de... você...
- De mim?
- De você sim... de NÓS...
- Nós?
- ... (movimento positivo com a cabeça)
- Hum... Desatai!
- O quê? (reação de surpresa)
- Os nós...
- Ajuda-me?
- A sós.
- Obrigada!

05 novembro, 2007

Meeting


- Hi, stranger.
- Stranger! How long...
- Don't say a word... I wrote so many poems in your place!
- My place? Did I have one?
- Ones.

02 novembro, 2007

Ato


Abandono,
tenho sono.
Alegria?
Ha ha ha...
só covardia.
Morfina
dia-a-dia.

Cada hora
me apavora.
Estagnada
vivo agora.
No movimento
fico estática,
vítima
fanática
num mundo
encantador.

E este profundo merecedor,
moribundo,
morre de amor.
Nem clama
nem sente dor.

Na ordem,
dia é noite.
A cena é
fria e forte.
A Bela encena
a quase morte.
O tempo já passou.
O vento não cessou.
Começa a peça.
Termina o show...

Peça...e vôo!

01 novembro, 2007

Calmaria


Hush!
Eu hoje preciso é de silêncio!
Quero entender o porquê.
Porque se não entender não me saberei...
Por quê tanto querer se desfez em discursos racionais e filosóficos?

Eu te fagocito até pelo olhar e não caberia nessa antropofagia devastadora entre um homem e uma mulher surgir um sintoma tão primitivo, tão duro quanto a sepultura:
O Ciúme.

Hoje eu só preciso do teu peito.
Quero me aquietar e conseguir auto-respeito.

Eu me preservo de ti
e te conservo algures,
e conserto aquele vício em que me delicio ao te tocar...

Hoje eu não quero escutar as razões que me fizeram decidir por abrir mão do AGORA, dos instantâneos momentos de transcendência, de cada experiência iminentemente perigosa e ao mesmo tempo vital.

Melhor é nada dizer.
No silêncio há calma.
E choro... e choro...

E a mim me acalmaria
a Calmaria...