26 agosto, 2008

limite


Será que vai dar?
Aonde vai dar?

Um dia vai,
no outro vai voltar.

Amor tão maior
que de tão grande
tem vontade só de amar.

E suporta a convenção social,
a moral
e transcendeu o corpo
quis ser imortal.

Esqueceu-se da sua natureza carnal?

15 julho, 2008

a contar...


Falta pouco...
só mais um pouco de coragem
pra deixar o "conhecido"
e seguir viagem.

03 julho, 2008

Oração



À caça
(ou caçador?)
se lança
o enlaçado coração
na garganta.
Captura
a vibração
que alcança
na oração
uma ação
um TOC-TOC

Abre-se-lhe então a porta.

Apresentação:
-É visitação
do EU,
caçador de Deus!

Tua face
minha presa.

05 maio, 2008

Onze anos de vontade...



Entreteço com palavras
o vazio dos nossos sonhos
pondo imagens nas estradas
que outrora foram caminhos tristonhos.

Até que soprou um vento Nordeste
e levou a ilusão que me deste.
E nem no melhor do sexo,
feito com alento,
logrou contento
meu jeito de ser sem nexo.

E se no recôndito da mente
brotou uma semente
de furor,
regada com ciúmes de outro amor,
dissimulei com maestria
o tamanho medo deste ardor
que nos inflama
e sozinho se cria.

Pois quando a chuva caía sobre El-mar
ia caindo devagar,
meu corpo sobre o teu
num querer amar.

18 março, 2008

Vinho Tinto



Esperavam, com ansiedade, aquela noite em que tomariam vinho.
A mulher, há tanto tempo desejada, estava agora ao alcance das suas mãos e boca. Há tempos que a ânsia do desejo o esburacara bem no meio do corpo. Por isso não saberia dizer de qual das duas metades estava mais nu. Quanto mais o medo lhe tomava pelas pernas, mais ele apertava com força o copo; e fitava com o olhar paralisado a cena que desenhava em sua mente, antecipando o momento de tocá-la. Só não discernia com clareza se o faria primeiro no corpo ou na alma, não haviam certezas. Não se dava ao luxo a imutabilidade dos insanos.
E assim ele fantasiava e esperava adolescentemente por ela, pela mulher do seus sonhos! Mas como a "coisa idealizada" nunca é a "coisa em si", só a vontade revelaria a verdade... e verdadeiramente entre eles havia calor e um cheiro doce que arrepia.
Então veio a verdade, nua e crua.
Caíra a deusa idolatrada direto nos braços daquele que a tomara como mortal! Caíra! Completa e mente embriagada dele... só dele, do Vinho Tinto!
E a "coisa em si", não o objeto de desejo, fora incorporada com saliva e suor, à meia luz e sem lençóis. Nenhum dos dois sentiu frio até raiar o dia.